Biografia de Francisco António Pereira da Costa (1809-1889)


Francisco António Pereira da Costa nasceu em Lisboa no dia 11 de Outubro de 1809.

Filho de um farmacêutico pouco afortunado, conseguiu, graças à sua precoce inteligência e ao seu esforço, matricular-se com 16 anos na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Em 1828, devido aos acontecimentos políticos e por ter abraçado a causa liberal, teve que interromper os seus estudos, começando assim um período difícil da sua vida. Seu pai, que tinha emigrado, acabou por morrer no estrangeiro, e para se sustentar e à sua mãe, tomou conta da farmácia do pai, a qual se viu obrigado a fechar devido às perseguições políticas. Finalmente em 1833 com o triunfo da causa liberal, conseguiu terminar os seus estudos e obteve com distinção o título de bacharel em medicina.

Muito mais vocacionado para o estudo das ciências naturais do que para o exercício da medicina, em 1840 foi nomeado professor da cadeira de Mineralogia e Geologia da Escola Politécnica de Lisboa. Foi professor durante 35 anos, tendo-se reformado em 1887.

Dedicou-se profundamente ao estudo da cadeira que leccionava e ao estudo da mineralogia e da paleontologia.

Trabalhou na Academia Real das Ciências onde existiam colecções do Museu da História Natural. A maior parte dessas colecções provinham do Palácio Real da Ajuda e consistiam em materiais das colónias, incluindo do Brasil. Pereira da Costa ocupou-se da classificação dos produtos minerais, assim como da classificação de moluscos da colecção do Rei D. Pedro V. Em reconhecimento pelos seus serviços foi eleito membro efectivo da Academia e, em 1853, eleito membro do Conselho de Minas. Em 1857, aquando da criação da Comissão Geológica foi nomeado director, juntamente com Carlos Ribeiro, e ficou encarregue dos estudos paleontológicos e da organização das colecções. Deixou a Comissão em 1868, quando esta foi dissolvida, reassumindo plenamente as suas funções na Escola Politécnica.

J.P. Gomes, 1903, escreve no seu artigo: "Era um homem com um carácter sedentário, trabalhador, dedicando muito do seu tempo ao estudo da mineralogia e da paleontologia e daí o seu profundo conhecimento deste ramo da ciência. Possuía excelentes conhecimento das línguas latina, grega, inglesa e francesa".

Para além de todos os cargos que exerceu, era Doutor honoris causa da Universidade de Ratisbonne e foi condecorado com a Cruz de Comendador da Ordem de Cristo pelo próprio Rei D. Pedro V.

Deixou trabalhos publicados sobre moluscos fósseis do Terciário em Portugal e sobre pré-história. É autor da 1ª monografia arqueológica publicada em Portugal, com o título "Da existência do homem em epochas remotas no valle do Tejo. Noticia sobre os esqueletos humanos descobertos no Cabeço da Arruda, 1865".

Faleceu no dia 3 de Maio de 1889.

 

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