Biografia de Jacinto Pedro Gomes (1844-)


Jacinto Pedro Gomes nasceu em Lisboa em 29 de Abril de 1844 e estudou em Inglaterra e na Alemanha. Em 1861 entrou na escola de minas de Freiberg completando o seu curso de engenheiro de minas em 1865. Antes de regressar a Portugal casou com Mina Elisabeth Graff, da qual teve um filho e uma filha.

Muito interessado pelas ciências naturais, consagrava os seus tempos livres à botânica e à conchiologia, mas o seu estudo principal era dedicado à geologia, principalmente, a mineralogia e a petrografia.

Em 1883 começou a trabalhar como naturalista da Secção de Mineralogia e Geologia do Museu Nacional, ao qual se dedicou totalmente até à sua morte em 1916. A sua dedicação ao Museu era enorme e aproveitava as suas viagens ao estrangeiro para adquirir novos conhecimentos e aplicá-los ao seu muito querido Museu de Lisboa. Nele se encontravam colecções de petrografia, séries mineralógicas, estratigráficas, mineralogia e a colecção de paleontologia, que disposta em ordem zoológia, foi quase totalmente obra de J. P. Gomes.

Mas era a colecção de mineralogia que mais o interessava e, assim, apesar do preço, não hesitava em adquirir minerais de grande raridade para o Museu. Era uma colecção muito elogiada pelos mineralogistas estrangeiros que o visitavam e que se admiravam de encontrar espécies que até essa altura só as conheciam pelas descrições feitas.

J. P. Gomes foi um perfeccionista na disposição dos minerais nas vitrines de maneira a despertar o interesse do público.

Durante 30 anos exerceu funções de professor das ciências geológicas e foi também encarregue da preparação dos alunos aos exames. A sua influência sobre os jovens era notória, graças aos seus estudos superiores, ao seu sentido prático e até mesmo ao seu humor jovial.

Foi membro da Sociedade de Geografia de Lisboa, da Sociedade Portuguesa das Ciências Naturais e foi nomeado por decreto ministerial, para uma Comissão consultiva que os Serviços Geológicos instituiram em 1901.

Como engenheiro ocupou-se de estudos respeitantes a diversas minas tanto em Portugal como em Espanha, mas que abandonou aquando da sua entrada no Museu Nacional, excepto o estudo referente à mina de carvão do Cabo Mondego da qual foi engenheiro consultor até à sua morte.

O seu carácter era modesto e desinteressado. Comunicava verbalmente aos seus amigos todas as observações novas que fazia quer no laboratório quer na natureza e eram eles que insistiam para que ele as imprimisse, daí que as suas publicações sejam pouco numerosas. Em 1910 colaborou numa grande obra sobre os recursos de minerais de ferro do mundo, publicado em Estocolmo por iniciativa do Congresso Geológico Internacional, escrevendo um artigo sobre Portugal.

J. P. Gomes foi essencialmente coleccionador não só de objectos mas também de ideias. Era um filósofo atirando para o papel observações sobre os assuntos mais diversos, e que lhe permitiriam fixar as suas reflexões ou observações. De entre esses vários rascunhos referentes a minas, classificação zoológica ou petrográfica, a organização do museu, a terminologia científica, a agricultura, a história, etc., encontraram-se três suficientemente acabados para serem publicados, prestando-se assim, homenagem à sua memória.

Descreveu Paul Choffat, Janeiro 1916: "Foi um homem com um espírito liberal, interessado no futuro do seu país e sobretudo com os jovens que manifestavam interesse para as ciências naturais".

 

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