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Litoteca de Portas Abertas. Onde os Livros Tomam a Forma de Rochas ...
Minerais
Cristal
Sólido homogéneo, ordenado à escala atómica, ou seja com estrutura
interna ordenada (arranjo regular e periódico dos átomos) e definido por uma
composição química. |
Mineral
Chama-se mineral a um cristal natural e inorgânico com uma estrutura
interna cristalina, com composição química bem definida (fixa ou variável entre certos
limites também bem definidos) e podendo assumir a forma de um poliedro. |
A esta definição de mineral, bastante
restritiva, excluem-se alguns exemplos abaixo citados:
- mercúrio nativo - uma vez que não é
sólido, mas sim líquido;
- opala e calcedónia - uma vez que não tem
estrutura interna cristalina mas sim amorfa, sendo classificada como um
mineralóide;
- pérola - uma vez que não é inorgânica
mas sim produzida por um animal;
- limonite - óxido de ferro hidratado sem
estrutura interna cristalina;
- âmbar - uma vez que não é inorgânico
mas sim uma resina fóssil produzida por gimnospérmicas.
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Mineralogia
Ramo das Ciências da Terra que estuda os minerais e que está intimamente ligada à
física e à química. Sendo a definição de mineral, a de uma substância natural, de
composição química estabelecida entre determinados limites e estrutura atómica bem
definida, são especialmente as propriedades físicas e químicas que permitem a sua
identificação e estudo.
O estudo dos minerais é particularmente importante, quer porque a sua utilização
económica como matéria-prima é indispensável na nossa sociedade, quer para a
compreensão da origem e evolução das rochas.
Formação dos Cristais
A matéria cristalina pode-se formar, fundamentalmente, por 3 processos de
cristalização:
1. a partir de uma solução
2. a partir de uma substância fundida
3. a partir de um gás
1. A cristalização a partir de uma solução pode efectuar-se por evaporação lenta
e gradual do dissolvente tornando-se as soluções sobressaturadas e conduzindo à
cristalização das substâncias aí dissolvidas. Pode também ocorrer precipitação de
soluções saturadas, devido à diminuição da temperatura e/ou à diminuição da
pressão. Exemplos mais comuns são os de cristalização dos minerais Calcite (CaCO3 - carbonato de cálcio)
e Halite (NaCl - Cloreto de sódio).
Minerais constituintes de rochas como o Calcário
e Salgema, respectivamente.
2. A partir de uma substância fundida também se pode dar Cristalização. Quando um
magma arrefece os diferentes iões são atraídos uns pelos outros formando "núcleos
cristalinos" dos diferentes minerais. A cristalização efectua-se pelo acarreio de
iões, nas mesmas proporções em que formam as partículas constituintes da rocha sólida
resultante. Exemplos mais comuns são os minerais silicatados como a Olivina,
Quartzo, Moscovite, Biotite, Feldspatos, que são minerais constituintes
de rochas como o Granito e Gabro.
3. A terceira forma de cristalização, a partir de um gás ou vapor, é menos
frequente que as anteriores, embora os princípios fundamentais sejam idênticos. Os
átomos dos elementos dissociados agrupam-se lentamente quando se dá o arrefecimento de
um gás, até formar um sólido com uma estrutura cristalina bem definida. Como exemplo
deste modo de cristalização temos os cristais de Enxofre que se formam por arrefecimento
das fumarolas vulcânicas e vapores carregados de enxofre, nas regiões vulcânicas.
Propriedades dos Minerais
Os minerais apresentam propriedades físicas, químicas e ópticas que permitem a sua
caracterização e identificação.
As propriedades físicas dos minerais por serem de uso fácil e imediato e observáveis
em amostra de mão, são as mais utilizadas para uma primeira identificação. O
conhecimento destas propriedades e a maneira prática de as investigar é fundamental na
identificação de minerais, conjuntamente com a utilização de tabelas ou chaves
dicotómicas.
Propriedades Físicas
Clivagem
Propriedade que alguns minerais têm de se fragmentarem segundo determinadas
superfícies planas e paralelas.
A estas superfícies planas chama-se plano de clivagem.
| Planos
de clivagem: |
Geralmente
brilhantes |
| Direcção
cristalográfica definida |
Correspondem
às direcções
onde as ligações iónicas ou
atómicas são mais fracas. |
| Podem repetir-se paralelamente a si próprios. |
Como bons exemplos de minerais com boa clivagem temos:
- A moscovite apresentando uma única direcção de clivagem - clivagem
basal.
- A calcite apresentando três direcções de clivagem - clivagem
romboédrica.
- A galena apresentando uma clivagem cúbica.
Segue-se uma figura ilustrando estes três exemplos apresentados.
| MOSCOVITE |
GALENA |
CALCITE |
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| Basal |
Cública |
Romboédrica |
Fractura
Designa-se por fractura a maneira como certos minerais partem, esta rotura não tem
direcções ou planos definidos e distinguem-se facilmente dos planos de clivagem por
serem:
| Superfícies
de fractura: |
Geralmente baças |
| Irregulares e não
planas |
| Não se repetem paralelamente a si próprias. |
Os principais tipos de fractura são:
| Conchoidal,
concoidal |
Fractura
com superfícies côncavas e convexas, lisas ou estriadas, semelhantes a
conchas.
Ex: quartzo |
| Esquirolosa |
Fractura com
esquírolas pontiagudas (aguçadas), à semelhança da madeira quando parte.
Ex: anfíbolas |
| Irregular |
Fractura onde o mineral parte segundo uma superfície irregular.
Ex: turmalina |
Ilustração da clivagem e fractura dos Minerais:
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| Clivagem |
Fractura |
Dureza
A dureza é a resistência que o mineral oferece a ser riscado por outro mineral ou
objecto alternativo.
A dureza depende do tipo de ligações químicas presentes no mineral, ou seja, quanto
mais fortes forem estas ligações maior dureza terá o mineral.
Poderá ser avaliada comparando-a com a de certos minerais-padrão. A escala de dureza
mais vulgar constituída por minerais-padrão, é a escala de Mohs, constituída por 10
graus correspondentes às durezas relativas de 10 minerais, ordenados por ordem crescente
de dureza. Cada um dos minerais desta escala risca o anterior, de dureza inferior, e é
riscado pelo seguinte na escala, portanto de dureza superior.
Quando se vai riscar um mineral mais duro com outro menos duro, este vai desgastar-se
sobre o mais duro, à semelhança de quando se escreve com giz no quadro preto ou quando
se escreve com o lápis no papel.
Poderão também utilizarem-se objectos de dureza conhecida, para evitar o desgaste
constante dos minerais, sendo os mais comuns:
- Unha
- Prego (cobre)
- Canivete (aço)
- Vidro
Escala de Mohs

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Grau
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Mineral
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1
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Talco
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2
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Gesso
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3
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Calcite
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4
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Fluorite
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5
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Apatite
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6
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Ortose
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7
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Quartzo
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8
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Topázio
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9
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Corindo
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Avaliação Expedita da Dureza dos Minerais

Brilho
O brilho dos minerais é o modo como estes reflectem a luz incidente nas suas
superfícies, de preferência as não alteradas.
Quanto ao brilho dividem-se os minerais em:
| Brilho Metálico |
Característico
de determinados minerais que apresentam elevado índice de refracção, como por exemplo
metais nativos (ouro, prata). Têm aparência brilhante dos metais. |
| Brilho Sub-metálico |
Brilho
um pouco menos intenso que o metálico, exemplo volframite. |
| Brilho Não Metálico |
Característico
dos minerais de cor clara , em geral transparentes ou translúcidos. Individializam-se
variedades dentro deste brilho:
- Vítreo - semelhante, no aspecto ao vidro.
- Nacarado - aspecto do das pérolas;
- Gorduroso - aspecto oleoso;
- Sedoso - semelhante ao da seda;
- Adamantino - aspecto semelhante ao do diamante, brilho intenso;
- Resinoso - aspecto da resina.
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Cor
A cor dos minerais é a característica mais fácil de observar, e pode
ser muito importante, quando é típica de um mineral, mas há o caso de minerais que
podem apresentar várias cores. Resulta da absorção de algumas radiações da luz branca
que incide sobre o mineral.
Assim quanto à cor, os minerais podem ser:
| Idiocromáticos |
Minerais
cuja cor é característica e invariável de amostra para amostra. |
| Alocromáticos |
Minerais que apresentam cores
variáveis.
Exemplo do quartzo que vai desde o incolor, rosa, lilás, amarelo, fumado, etc. |
Chama-se risca ou traço à cor do pó fino que se
forma quando se risca o mineral numa porcelana não vidrada. Quando o mineral é mais duro
que a porcelana (dureza 7), não se pode observar a risca, ou seja o mineral não se reduz
a pó visto ter dureza superior.
A cor da risca é importante na distinção de minerais que apresentam
a mesma cor, é por exemplo o caso da magnetite, da goetite, hematite ambos de cor negra
mas com risca distintas, respectivamente, preta, amarelada e avermelhada.
Quanto à risca os minerais podem-se subdividir:
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Minerais brilho
metálico e sub-metálico |
Regra
geral produzem risca de cor escura. Por vezes de cor bastante diferente da do mineral.
Ex. pirite amarelo-latão e risca quase preta. |
Minerais de brilho
não metálico e alocromáticos |
Geralmente
tem traço branco ou acinzentado. |
Minerais
de brilho
não metálico e idiocromáticos |
Traço da cor do mineral, em geral mais esbatida. |
Diafaneidade
Diafaneidade ou transparência é a maior ou menor permeabilidade à luz
dos minerais, ou seja a quantidade de luz que deixam atravessar.
Os minerais podem ser:
| Hialinos |
Através
dos quais os objectos são visíveis sem modificação da cor. |
| Transparentes |
Através
dos quais os objectos são visíveis com possíveis modificação da cor, mantendo-se os
contornos nítidos. |
| Translúcidos |
Deixam-se
atravessar parcialmente pela luz, mas os objectos não são claramente visíveis. |
| Opacos |
Não se deixam atravessar pela luz. |
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Hialino Transparente Translúcido Opaco |
Sabor e Cheiro
Para certos minerais estas propriedades são bons elementos de diagnóstico. São por
exemplo os casos de:
Halite - Sabor salgado
Silvite - Sabor amargo
Arsenopirite - Cheiro a alho
Enxofre - Cheiro a ovos pobres |
Magnetismo
Certos minerais são fortemente atraídos pelo íman como a magnetite e a pirrotite,
outros não são atraídos ou são muito pouco atraídos.
Para diagnosticar esta propriedade utiliza-se um íman ou uma bússola.
Radioactividade
Alguns minerais possuem propriedades radioactivas. São exemplo os minerais de urânio.
Esta propriedade pode evidenciar-se utilizando contadores de partículas - contador
Geiger.
Fluorescência
A luz ultravioleta é invisível para os seres humanos, porque as suas ondas são muito
curtas e não detectadas pelos nossos olhos.
Mas alguns minerais emitem luz quando expostos a luz ultravioleta, dizem-se que são
minerais fluorescentes.
Estes minerais absorvem a luz ultravioleta e reflectem-na em ondas mais longas estas
detectados pelos nossos olhos.
Exemplo mais comum é da fluorite, mineral que dá o nome a propriedade.
Propriedades Químicas dos Minerais
Estas propriedades são estudadas em laboratórios mineralógicos utilizando variadas
técnicas desde as clássicas até às técnicas mais sofisticadas, como difracção de
raios X ou microssonda electrónica.
Principais classes em que, estão agrupados os minerais
| Elementos nativos |
são
os minerais que ocorrem na natureza em estado puro, não combinado - como o ouro, prata,
cobre, enxofre, diamante, grafite. |
| Sulfuretos |
minerais
metálicos de que são exemplo a pirite, calcopirite, galena, blenda. |
| Óxidos e hidróxidos |
minerais
comuns, sobretudo nos ambientes mais superficiais da Terra, de que fazem parte entre
muitos outros a hematite, goethite, pirolusite e magnetite. |
| Halóides |
Classe
restrita que reúne os halogenetos naturais como a halite, silvite, fluorite. |
Carbonatos, nitratos
e boratos |
calcite,
dolomite, malaquite, rodocrosite. |
| Silicatos |
são os minerais mais abundantes da crosta terrestre e
são próprios das rochas endógenas (magmáticas e metamórficas) embora apareçam em
rochas sedimentares. Como exemplos, olivina, turmalina, piroxenas, anfíbolas, biotite,
moscovite, quartzo e feldspatos. |
Propriedades Ópticas dos Minerais
O estudo e observação das propriedades ópticas dos minerais é muito importante mas
também muito complexo, pois só assim, podemos estudar minerais que formam as rochas
mesmo quando são tão pequenos que não se vêem a olho nu.
Para se poderem observar as rochas e os minerais ao microscópio petrográfico é
necessário cortá-los em lâminas delgadas muito finas com 0,03 mm de espessura para a
luz transmitida do microscópio os poder atravessar. |
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Observação de Minerais ao Microscópio Petrográfico
Os minerais podem ser observados ao microscópio de duas formas que diferem pelas
modificações que a luz sofre na travessia:
A) Luz Paralela ou nicóis paralelos - Os minerais são iluminados por feixe paralelo
de luz
B) Luz polarizada ou nicóis cruzados - A iluminação dos minerais é igual à da
observação em luz paralela, só que se sujeita a luz emergente da lâmina a uma nova
polarização - Analisador.
A observação em luz paralela é indicada para na observação de propriedades
ópticas vulgares, tais como:
- Diafaneidade - Os minerais negros são
opacos (não deixam atravessar a luz), os restantes são transparentes ou traslúcidos.
- Hábito - dá-se o nome de hábito de um
cristal ao seu aspecto geral.
Exemplos de hábitos:
- Hábito romboédrico - quando os cristais têm a forma de losangos.
- Hábito prismático - quando os cristais têm a forma de prismas
- Hábito acicular - quando os cristais têm a forma de agulhas
Forma dos minerais
Cristais euédricos
limitados por linhas poligonais correspondentes às faces dos cristais.Cristais anédricos
possuem limites irregulares. |
Clivagem
presença de uma ou mais séries de linhas paralelas que cortam o mineral
Cor
cor que o mineral apresenta em luz transmitida.
Pleocroísmo
variação de cor do mineral com a orientação da iluminação em luz polarizada ou
seja rodando a platina
Algumas imagens microscópicas de minerais em luz paralela e luz cruzada:
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Feldspato - Microclina
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Observação microscópica em luz polarizada
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Moscovite
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Observação microscópica em luz polarizada
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Quartzo
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Luz natural
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Luz polarizada
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COMO CITAR ESTA PUBLICAÇÃO (HOW TO CITE THIS PUBLICATION):
Instituto Geológico e Mineiro (2001). Litoteca de Portas
Abertas. Instituto Geológico e Mineiro
Versão Online no site do INETI: http://e-Geo.ineti.pt/geociencias/edicoes_online/diversos/guiao_litoteca/indice.htm
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