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As Cartas Geológicas ao Serviço do Desenvolvimento (1999)2. Resumo Histórico da Cartografia Geológica de PortugalNos meados do séc. XIX inicia-se o desenvolvimento da cartografia geológica do nosso País. As primeiras cartas geológicas, bastante deficientes, complementavam estudos mineiros ou regionais. Em 1841, o geólogo inglês Daniel Sharpe, num estudo intitulado "The Geology of neighbourhood of Lisbon", acompanha este trabalho com a primeira carta dos arredores de Lisboa e, em 1849, num estudo idêntico, publica a primeira carta dos arredores do Porto. Por outro lado, em 1848, José P. Rebelo de Andrade, apercebendo-se da importância da relação "qualidade dos solos" - "qualidade do vinho do Porto", apresenta, no seu estudo do "Distrito Vinhateiro do Alto Douro", um esboço geológico daquela região. Pode dizer-se que o nascimento da instituição que dedicou aos estudos geológicos de Portugal e que ao longo dos tempos, foi tendo várias designações nomeadamente "Comissão Geológica", "Comissão Geológica do Reino", "Comissão Geológica de Portugal", "Comissão dos Trabalhos Geológicos" "Direcção dos Trabalhos Geológicos", "Direcção dos Serviços Geológicos", "Serviços Geológicos de Portugal", derivou da Portaria de 16 de Outubro de 1848 que encarregou a Academia das Ciências de Lisboa de nomear uma Comissão destinada a avaliar uma proposta de Charles Bonnet, para a realização daqueles estudos. Esta proposta teve parecer favorável, pelo que, em 21 de Dezembro de 1848 um Decreto do Duque de Saldanha instituiu uma "Comissão Geológica" que deveria começar a funcionar a partir de 1 de Fevereiro de 1849. Para presidir a este organismo, que correspondeu a um dos primeiros Serviços Geológicos instituídos no mundo, foi nomeado C. Bonnet. Em 1852, C. Bonnet apresenta o original da carta geográfica do Alentejo e Algarve, na escala 1: 833 333, que viria a servir de base a Carlos Ribeiro para o traçado da primeira carta geológica do Alentejo. Da colaboração de Carlos Ribeiro com o seu mestre Daniel Sharpe a estratigrafia portuguesa recebe o primeiro e grande impulso. Estes dois autores - considerados os fundadores da geologia portuguesa - ao traçarem os limites das formações geológicas conhecidas à data, sobre uma "Minuta de uma carta do Reino de Portugal para a defesa geral do dito Reino", na escala aproximada 1:750 000, elaborada por J. M. das Neves Costa (1840), deram uma visão global dos diferentes conjuntos rochosos em que o país assentava. Esta carta nunca foi impressa, mas serviu de base para a "Carte Géologique de l' Espagne et du Portugal, na esc. 1:500 000, da autoria de Verneuil e Collomb, cuja 1.ª edição data de 1864, e uma 2.ª edição, de 1868. Presidida por Filipe Folque, foi criada em 1857 a "Comissão dos Trabalhos Geológicos do Reino", ou "Comissão Geológica do Reino" (em substituição da sua congénere "Comissão Geológica", dissolvida em 1855), para a qual Carlos Ribeiro e Pereira da Costa foram nomeados directores. É admitido, como adjunto, o Alferes de Engenharia Joaquim Filipe Nery Delgado. Foram estes cientistas que concorreram para o enorme prestígio internacional da geologia e cartografia geológica do país. Detectada a imprecisão das cartas topográficas então existentes, Filipe Folque concretiza o levantamento da Carta Corográfica geral do país, entre 1860 e 1865, na escala 1:100 000. Durante este período, Carlos Ribeiro e Nery Delgado fazem o levantamento geológico das folhas 19, 23, 24, 27 e 28 na escala 1:100 000 (que abrangem a região a norte de Lisboa, Foz do Tejo, Arrábida e área oriental). As duas últimas folhas vêm a ser impressas em 1866 e 1867, mas só vieram a ser distribuídas em 1949, na ocorrência do XVI Congresso Internacional de Geografia, realizado em Lisboa. Sobre o mapa 1: 500 000 entretanto elaborado, Carlos Ribeiro e Nery Delgado lançaram os limites geológicos conhecidos, obtendo um esboço bastante correcto para a altura, que foi apresentado na Exposição de Paris, em 1867. Embora a Comissão fosse dissolvida em 1868, os estudos geológicos continuaram com Carlos Ribeiro e Nery Delgado. Estes investigadores vêm a integrar a "Secção dos Trabalhos Geológicos", organismo chefiado por Carlos Ribeiro, criado em 1869, e dependente da Direcção Geral dos Trabalhos Geodésicos. Deu-se então início a um período áureo dos estudos geológicos em Portugal. É nesta fase que, em 1876, estes mesmos autores, a partir do esboço de 1867, promovem uma edição limitada da primeira Carta Geológica de Portugal na escala 1:500 000, patente na Exposição Internacional de Filadélfia onde obteve uma medalha. Uma 2.º edição desta mesma carta, renovada, foi realizada em 1878, conservando, porém, a mesma data de 1876. Ainda em 1878, durante o Congresso Internacional de Geologia, em Paris, Carlos Ribeiro convida Paul Choffat, Professor da Escola Politécnica Federal, Zurique que, em 1879, passa a integrar o pessoal científico da Instituição, dedicando-se ao estudo Estratigrafia, Paleontologia e Tectónica do Mesozóico português. Com a morte de Carlos Ribeiro, em 1882, a chefia da Secção foi assegurada por Nery Delgado que manteve o prestígio internacional dos Serviços (até à data seu falecimento, em 1908). Durante este período, Nery Delgado e Paul Choffat fazem uma profunda actualização da 2.ª edição da Carta Geológica de Portugal de 1876 na escala 1:500 000, promovendo a 3.ª edição em 1899. Apresentada na Exposição de Paris de 1900 conjuntamente com um painel do Mesozóico a norte do Sado, na escala 1:100 000, estes autores foram galardoados com medalhas de ouro, e à Instituição atribuído um "Grande Prémio". Muitos outros levantamentos regionais de grande valor, integrados em trabalhos e estudos, se ficaram a dever a Nery Delgado (Valongo, Bussaco, Barranco) e Choffat (Arrábida, Sesimbra, Palmela). Em 1918 é extinta a "Comissão dos Serviços Geológicos", sendo substituída pelos "Serviços Geológicos", na dependência da Direcção-Geral de Minas e Serviços Geológicos. Este evento trouxe para a Instituição uma perda de autonomia que acentuou a estagnação que já se fazia sentir após o falecimento de Nery Delgado. A morte de Paul Choffat, em 1919, veio agravar a situação da cartografia geológica de Portugal. No entanto, mapas geológicos na escala 1:20 000, preparados por Choffat, mas não publicados, referentes aos arredores de Lisboa e da Serra de Sintra, foram a base para a publicação, só muitos anos depois, das quatro folhas, na escala 1:50 000 que constituem a "Carta Geológica dos Arredores de Lisboa". A primeira folha - 34-C (Cascais) foi editada em 1935; em 1937 saiu a folha 34-A (Sintra); em 1944 a de Loures (34-B) e, em 1950, foi a vez da folha de Lisboa (34-D). Também com dados de Paul Choffat foi publicada, em 1940, a "Carta Geológica de Lisboa", na escala 1:20 000. Um novo relançamento da cartografia geológica do país, deve-se a Carlos Teixeira, que dinamizou as actividades desenvolvidas pelos Serviços Geológicos de Portugal e, nos primeiros tempos, pela Junta de Energia Nuclear. Em 1951 têm início os levantamentos sistemáticos da Carta Geológica de Portugal na escala 1:50 000, baseados em levantamentos executados sobre a Carta Militar de Portugal na escala 1:25 000 mas publicados no fundo simplificado da Carta Corográfica de Portugal na escala 1:50 000 do Instituto Geográfico e Cadastral A primeira folha desta nova fase da cartografia geológica (Folha 31-A -Santarém) foi impressa em 1952; a mais recente folha publicada - a Folha 6-D (Vila Pouca de Aguiar), tem a data de 1998. Das 175 folhas que fazem a cobertura do Continente, foram já editadas 118 cartas geológicas nesta escala (67,4%), que se discriminam no Capítulo 7. Este projecto 1:50 000 foi alargado aos arquipélagos dos Açores e Madeira, hoje totalmente cobertos por cartografia geológica. Tanto na Madeira como nos Açores, e dentro deste projecto 1:500 000, algumas cartas foram editadas na escala 1:25 000 (ver Capítulo 7). Para colmatar a falta duma carta geral do país - já que entretanto se esgotara a carta 1:50 000 de 1899 - foi publicada, em 1952, a Carta Geológica de Portugal na escala 1:1 000 000. Esta carta, embora de pouco pormenor, teve grande procura pelos estabelecimentos de ensino, pelo que uma 2.ª edição actualizada, coordenada por Carlos Teixeira, foi impressa em 1968 e apresentada no 23º Congresso Geológico Internacional de Praga, no mesmo ano. Em 1972, igualmente coordenada por Carlos Teixeira, é realizada a 4.ª edição da Carta Geológica de Portugal na escala 1:500 000. Esta apresenta um progresso notável, no que concerne à escala estratigráfica, à representação das formações eruptivas, à pormenorização dos depósitos discordantes, à revisão das formações plio-quaternárias e à introdução de acidentes tectónicos. Em 1975, sob a orientação do Conselho de Gestão então instituído nos Serviços Geológicos de Portugal, dá-se novo arranque nas actividades da cartografia geológica do país, com a entrada de novos geólogos e a adopção de novos modelos de cartas geológicas. Em 1983 começa a publicar-se, sistematicamente, a Carta Geológica de Portugal na escala 1:200 000, imprimindo-se a Folha 7 (região ocidental - sul Alentejo e ocidental do Algarve), seguida da Folha 8 (zona oriental - sul do Alentejo e oriental do Algarve) em 1987-88, e da Folha 1 (Entre Douro e Minho), 1989. A 5.ª edição da Carta Geológica de Portugal na escala 1:500 000 - profundamente renovada em virtude de se fundamentar nas numerosas cartas 1:50 000 que têm vindo a ser publicadas por diversos autores e trabalhos de investigação e pesquisa de jazigos minerais - tem a data de 1992. Uma primeira versão, maqueta, desta carta esteve presente no Congresso Internacional de Geologia realizado em Kyoto, no Japão, em 1992. Com a mesma data de 1992, foram ainda publicadas as Folhas Ocidental e Oriental da Carta Geológica da Região do Algarve, na escala 1:100 000. Algumas Cartas temáticas foram, igualmente, editadas:
Além desta cartografia publicada sob os auspícios dos Serviços Geológicos de Portugal e na qual estiveram envolvidos não só os seus técnicos mas também geólogos do Serviço de Fomento Mineiro, J.E.N. e das diversas Universidades do país (Universidades do Porto, Coimbra e Lisboa), muitos outros levantamentos em escalas e áreas diversas foram realizados integrando trabalhos, entre os quais, teses de doutoramento. Destes, cabe destacar, pela sua complexidade, pela sua minúcia, pela dimensão da área estudada (cerca de 5 000 Km2), o mapa na escala 1: 200 000 de Trás-os-Montes Oriental elaborado por A. Ribeiro em 1974, quando geólogo dos S.G.P. Em 16 de Abril de 1993 foi criado o instituto Geológico e Mineiro (IGM) e nele foram incorporados os departamentos que faziam parte da extinta Direcção-Geral de Geologia e Minas:
Já na vigência do Instituto Geológico e Mineiro, foi distribuída ao público a 5.ª edição da Carta Geológica na escala 1:500 000. Cerca de 90% do território nacional encontra-se coberto por cartografia geológica, na escala 1:25 000, susceptível de ser consultada pelo público. Esta situação é, no contexto europeu, deveras lisonjeira para Portugal, relativamente aos outros países, dos quais, só a Inglaterra e a Alemanha possuem maior percentagem de áreas cobertas, a esta escala.
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