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Catálogo de Recursos Geotérmicos em Portugal Continental

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Caldas da Rainha

Situação Administrativa: Concessão hidromineral - Processo nº HM 14
Localização
    Lugar: Caldas da Rainha
    Freguesia: Caldas da Rainha
    Concelho: Caldas da Rainha
    Distrito: Leiria
    Carta Militar: Folha nº 326 , escala 1:25 000 Ver Carta
Coordenadas Militares (sistema Hayford-Gauss referidas ao ponto central)
    M: -85 770 m
    P: -28 960 m
    Cota: 80 m
Captações: Furos B-AC1, AC2 e JK1
Temperatura Máxima Registada: 36º C
Outras Valências do Recurso: Termalismo

 AMBIENTE GEOLÓGICO E CONTROLO GEOLÓGICO-ESTRUTURAL

Do ponto de vista geológico, a região onde se encontram as nascentes termais de Caldas da Rainha enquadram-se no vale tifónico de Caldas da Rainha, de orientação geral NNE-SSW. Este vale está relacionado com o diapirismo que afectou não só esta região como outras da bacia Meso-Cenozóica ocidental.

A zona de recarga é a serra dos Candeeiros, em afloramentos do Malm, escoando-se a massa de água através das "Camadas da Dagorda".

Na parte central da bacia o circuito hidromineral alcança profundidades entre os 1 400 m e os 2 100 m , pelo que o fluido chega a atingir temperaturas da ordem dos 75º C. Durante o percurso desenvolve-se um ambiente redutor submetido a temperaturas e pressões elevadas, dando origem a produtos que são oxidados ao longo do percurso ascensional.

As "Margas da Dagorda" constituem, portanto, uma barreira à progressão do escoamento hidromineral, provocando um fluxo ascensional rápido das águas profundas através da falha que bordeja o diapiro na parte oriental, dando origem a descargas subterrâneas importantes, cujos caudais parecem ter-se mantido inalteráveis desde o século XVI.

Estas águas, classificadas pelo Prof. Eng. Herculano de Carvalho (1955) como "sulfúreas, mesossalinas, neutras", brotam em diversos pontos, numa distância de 33 m, sendo acompanhadas por gases espontâneos, a uma temperatura que varia entre os 30ºC e os 35ºC.

39_caldas_rainha_Leg.png (17971 bytes)
Excerto da Carta Geológica nº 26-D na escala 1:50 000

 ANÁLISE FÍSICO-QUÍMICA (27-04-2006)

CONSTANTES FÍSICO-QUÍMICAS E SUBSTÂNCIAS NÃO DISSOCIADAS
pH 7.03 Dureza total (p.p. 105 CaCO3)   874.00
Condutividade (µS/cm) 4 000.00 Sulfuração total (ml de I2 0.01 N) 44.00
Alcalinidade (ml/l de HCl 0,1 M) 273.00 Sílica (mg/l de SiO2) 18.70
Resíduo seco a 180º (mg/l) 2 700.00 Dióxido de carbono livre (mg/l de CO2) -
ANIÕES (mg/l)
Fluoreto 1.20
Cloreto 966.00
Bicarbonato 326.00
Sulfato 608.00
Nitrato < 0.30
Nitrito < 0.01
SOMA 1 901.51
CATIÕES (mg/l)
Lítio -
Sódio 615.00
Potássio 6.90
Magnésio 53.00
Cálcio 263.00
Ferro < 0.03
Amónio 0.34
SOMA 938.27
RESUMO DA COMPOSIÇÃO QUÍMICA (mg/l)
Aniões 1 901.51
Catiões 938.27
SOMA 2 839.78
QUIMISMO
Hipersalina.

Sulfúrea e fluoretada, Cloretada Sulfatada Sódica Cálcica.

 BIBLIOGRAFIA

ZBYSZEWSKY, G. e MOITINHO DE ALMEIDA, F. (1960) - Notícia explicativa da folha 26-D - Caldas da Rainha. Serviços Geológicos de Portugal, Lisboa.

GEOESTUDOS (1983) - Estudo hidrogeológico do aquífero termomineral das Caldas da Rainha. - 1ª parte.

GEOESTUDOS (1985) - Estudo hidrogeológico do aquífero termomineral das Caldas da Rainha. - Relatório final.

DQUC (1992) - Estudo físico-químico das águas do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha.

DQUC (1993) - Estudo analítico da água de uma das captações de alimentação ao Centro Hospitalar das Caldas da Rainha.

LABORATÓRIO DO IST (2006) - Análise química para controlo de estabilidade da água do Furo AC 2 das Caldas da Rainha (Boletim N.º  03308/06, de 27-Abr-06).

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