Logotipo do INETI  
Logotipo do INETI Logotipo do Projecto e-Geo

Catálogo de Recursos Geotérmicos em Portugal Continental

Catálogo de Recursos Geotérmicos  |  Outras Ocorrências  |  Ver no Mapa  |  Imprimir  |  Fechar Janela

Caldas de Vizela

Situação Administrativa: Concessão hidromineral - Processo nº 8 / Min
Localização
    Lugar: Caldas de Vizela
    Freguesia: S. João e S. Miguel
    Concelho: Guimarães
    Distrito: Braga
    Carta Militar: Folha nº 99, escala 1:25 000 Ver Carta
Coordenadas Militares (sistema Hayford-Gauss referidas ao ponto central)
    M: -14 490 m
    P: 189 250 m
    Cota: 130 m
Captações: Furos AC 1, AC2,   AC3, GO/AP e GO/1,Nascentes Médico 1 e 2, Lameira 1 e 2, e Mourisco
Temperatura Máxima Registada: 62º C
Outras Valências do Recurso: Termalismo

 AMBIENTE GEOLÓGICO E CONTROLO GEOLÓGICO-ESTRUTURAL

As nascentes termais de Caldas de Vizela estão implantadas em formações graníticas da grande mancha minhota (monzogranitos biotíticos porfiróides de grão grosseiro, tardi-tectónicos - granito de Guimarães). Esta mancha dispõe-se numa faixa alongada e ligeiramente arqueada que se situa entre, a oeste, o sulco dúrico-beirão (que é bordejado por metassedimentos ordovícicos e silúricos e inclui sedimentos devónicos e carboníferos), e a leste por um outro alinhamento tectónico maior, de orientação NW-SE, que vai de Vila Nova de Cerveira para SE através das Beiras.

Granitóides de origem sin-tectónica afloram próximos, para SE, claramente afectados por fracturação profunda transversa à orientação geotectónica dominante de NW-SE, com fracturas e numerosos filões.

Para além destas estruturas, outras afectam localmente a zona de Vizela - em particular a grande fractura NNE-SSW, proveniente do Gerês, e uma fractura NNW-SSE que, aparentemente, termina aqui. No terreno são identificáveis manifestações destes alinhamentos, quer por observação directa e por meios geofísicos, quer por teledetecção, usando imagens a várias escalas.

Os maciços graníticos que constituem o substracto da região terão sido originalmente compactos e quase impermeáveis, mas a sucessão de acções tectónicas, a descompressão gravítica e a circulação de fluidos meteóricos ou de evolução intra-crustal transformou-os em maciços fracturados, com porosidade fissural, e em maciços alterados, com porosidade intergranular.

Nesta região são conhecidos casos de actividade hidrogeológica de águas "normais" a mais de 200 m de profundidade.

A ocorrência de águas minerais, com carácter físico-químico distinto do das águas normais, está claramente relacionado com circulações muito mais extensas e profundas nestes tipos de estruturas aquíferas, as quais se encontram quase isoladas dos circuitos sub-regionais e locais. Na circulação profunda intra-crustal adquirem um quimismo particular que é resultado de interacção água-rocha em ambiente geoquímico e geofísico próprio, independente dos circuitos sub-superficiais em maciços de alteração meteórica. O próprio carácter termal anómalo relativamente às águas normais é fruto da circulação que atinge áreas geotermicamente anómalas da crusta superior.

O circuito termomineral não está ainda suficientemente estudado para que possa ser apresentado um modelo detalhado das áreas de recarga e do circuito condutivo.

Em relação aos dispositivos de emergência, são conhecidas desde há séculos dezenas de nascentes sulfúreas quentes (± 50 ºC) e frias (± 30 ºC), em torno das quais se desenvolveu a povoação de Caldas de Vizela. Os principais grupos são Lameira, Banhos do Paulino, Velmenso, Médico, Rio e Mourisco.

As nascentes do grupo de Lameira foram reunidas em dois subgrupos, que constituem origens distintas. Mais recentemente, desde finais dos anos setenta, por via da pesquisa orientada ou por casualidade relacionada com pesquisas de água subterrânea para consumo privado de águas normais, surgiram novas ocorrências de água mineral, do tipo "quente" e do tipo "frio".

Verifica-se, pela distribuição local das nascentes históricas, todas já retiradas da exploração hidromineral, e da implantação de captações fortuitas ou resultantes de estudos, que os grupos e as maiores produções se relacionam com o cruzamento de zonas de fractura identificados por vários critérios, nomeadamente as de direcção NNW-SSE e ENE-SSW.

09_vizela_Leg.png (30305 bytes)
Excerto da Carta Geológica nº 9-B na escala 1:50 000

 ANÁLISE FÍSICO-QUÍMICA (24-07-2006)

CONSTANTES FÍSICO-QUÍMICAS E SUBSTÂNCIAS NÃO DISSOCIADAS
pH 9.50 Dureza total (p.p. 105 CaCO3) -
Condutividade (µS/cm) 329.00 Sulfuração total (ml de I2 0.01 N)  32.70
Alcalinidade (ml/l de HCl 0,1 M)  19.70 Sílica (mg/l de SiO2) 78.30
Resíduo seco a 180º (mg/l) 235.00 Dióxido de carbono livre (mg/l de CO2) < 0.10
ANIÕES (mg/l)
Fluoreto 26.90
Cloreto 27.40
Bicarbonato 91.00
Sulfato 8.09
Nitrato 0.08
Nitrito < 0.01
 
SOMA 153.48
CATIÕES (mg/l)
Lítio 0.11
Sódio 102.40
Potássio 2.06
Magnésio 0.81
Cálcio 3.26
Ferro -
Amónio 0.15
SOMA 108.79
RESUMO DA COMPOSIÇÃO QUÍMICA (mg/l)
Aniões 153.48
Catiões 108.79
SOMA 262.27
QUIMISMO
Água fracamente mineralizada, "doce", com reacção muito alcalina.

É uma bicarbonatada sódica, carbonatada, fluoretada, sulfidratada.

Nesta estrutura química a sílica encontra-se parcialmente ionizada.

 BIBLIOGRAFIA

ABRUNHOSA, M.J. (1999) - Águas Minerais Naturais de Caldas de Vizela: Revisão do Plano de Exploração e Legalização das Captações GO-1 e GO-AP. Caldas de Vizela.

LABORATÓRIO PIMENTA DO VALE (2006) - Análise química para controlo de estabilidade da água do Furo AC 2 das Caldas de Vizela (Boletim N.º 2407TV301-2/06, de 24-Jul-06).

Página Inicial  Pesquisa | Contactos | Bases de Dados Online | SIG Online | INETI © 2004-2009  e-Geo - Sistema Nacional de Informação Geocientífica / INETI